Clima de Pulverização no Brasil

Desenvolvido para a Metos Academy

Michael C Rubin - Drawdown Labs

2018-07-01

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Introdução

Na hora de realizar uma pulverização agrícola, é essencial fazê-la em condições climáticas adequadas. Caso contrário, podem ocorrer diversos tipos de efeitos adversos, tais como a lavagem dos produtos pela chuva, má adoção do produto ou a deriva dos produtos químicos à locais não intencionados (por exemplo a plantação do vizinho ou uma comunidade residencial. Via regra, necessitamos que uma pulverização bem-sucedido precisa de três condições básicas.

  1. A ausência da Chuva nas próximas X horas

  2. A velocidade do vento deve estar em uma faixa moderada

  3. A condição atmosférica de evaporação deverá ficar numa faixa ideal, nem muito baixo, nem muito alta.

Esse relatório foca na terceira condição acima mencionada.

O DeltaT

Não podemos medir diretamente a condição atmosférica de evaporação, pois ela é uma relação entre a temperatura do ar e a umidade relativa do ar (ambos que sim, conseguimos medir). O conceito mais popular para determinar essa condição atmosférica de evaporação é o chamado DeltaT. O DeltaT é definido como a diferença entre a Temperatura seca e a temperatura úmida (Delta significa diferença). A temperatura seca é a temperatura normal, que medimos com nossas estações meteorológicas. A temperatura úmida, por outro lado, precisaria de um equipamento mais sofisticado para ser medido (chamado psicrômetro), o que normalmente não temos disponível. Essa temperatura é definida como a temperatura mínima possível que uma porção de ar pode alcançar ao esfriar por evaporação. Quando a umidade relativa é 100%, a temperatura úmida é igual à temperatura seca. Na medida que a umidade relativa decresce, a temperatura úmida vai cair também (dessa forma ela nunca irá passar a temperatura seca). É essa relação indireto com a umidade relativa que nos permite calcular a temperatura úmida a partir de duas variáveis conhecidas, a temperatura seca e a umidade relativa. E equação é:

 

\[T_{w} =T* \arctan{[0.151977*(Rh+8.313659)^{1/2}]}+\arctan{(T+Rh)}-\arctan{(Rh-1.676331)}\\ +0.00391838*Rh^{3/2}*\arctan{(0.023101*Rh)}-4.686035\]  

Onde: 

T é a temperatura do ar medida na estação
Rh é a umidade relativa no ar medida na estação
Tw é a temperatura úmida

Uma vez temos essa temperatura úmida, é fácil calcular o DeltaT, pois é apenas a diferença:

 

\[ DeltaT=T-T_{w}\]

 

Como o DeltaT é uma diferença entre duas temperaturas, ele também é medido em graus ˚C. Embora esse cálculo é um pouco tedioso, algumas plataformas meteorológicas, como o fieldclimate.com da Metos, já informam esse DeltaT em tempo real.

Guia para a pulverização

O DeltaT é um indicador do poder de evaporação da atmosfera. O conceito nos informa o quanto rápida uma gota de água evaporiza. Quanto mais alto o DeltaT, mais rápido uma gota de água vai evaporar. Como acima mencionado, não queremos que essa velocidade seja nem muito baixo, nem muito alto. Os valores exatos dependem de vários fatores, tais como a formulação do produto a ser aplicado e a mistura com água. Mas, existe um guia geralmente aceitado:

  • 0-3 Baixo, pulverização não recomendada, pois a gota pode ficar muito tempo na folha e sofrer derivas.

  • 3-7 Faixa Ideal da aplicação.

  • Acima de 7 Alto, pulverização não recomendada. A gota pode evaporar muito rápido, portanto, o produto não tem uma adoção eficiente.

Então, podemos concluir que na hora da aplicação, é importante conferir que o DeltaT se encontra sempre na faixa de 3-7.


Como é o DeltaT no Brasil?

Agora que entendemos a teoria, seria interessante ter uma ideia de como o DeltaT se aplica no Brasil. Primeiramente, temos que saber que as duas variáveis determinantes, temperatura e umidade relativa, não são independentes uma da outra. Durante a noite, a umidade relativa fica alta, no Brasil, durante o verão, tipicamente acima de 90%. Com o nascer do sol, ela cai rapidamente para valores entre 50-65%. A temperatura mostra um desenvolvimento inverso, ficando baixa a noite e mais alta durante o dia. Porém, essa relação nem sempre é linear. Dependendo da região, da temporada, do tempo em geral, da nebulosidade etc., o DeltaT toma uma caminho diferente. Embaixo, vemos dois gráficos do DeltaT, um da Serra Gaúcha e um do interior de São Paulo (cada ponto é uma hora):  

Serra Gaúcha:

 

Interior de São Paulo:

 

Embora exista uma grande dispersão dos pontos, podemos detectar padrões:

  • Tem uma grande aglomeração de pontos entre 10-15 graus ˚C é umidade perto de 100% -> isso durante as noites

  • Tem uma aglomeração grande também com temperaturas mais altas (20-27 graus ˚C) e umidade relativa na ordem de 50-65%. Isso geralmente são os dias (mas os dias são mais dispersos que as noites).

  • Vemos uma certa “inclinação” na distribuição, o que representa a trajetória típica do dia. Especialmente no caso de São Paulo, vemos dias diagonais, um mais na esquerda, que representa o inverno, e um na direita, mais úmida e mais quente, que representa o verão.

Embaixo vemos a distribuição da probabilidade. Nela, é mais fácil enxergar as chamadas aglomerações e tendências.

Obs.: O grafico é uma Animação 3D. é possivel mexer nele, girar ele e fazer zoom, para olhar de todos os lados.

 

Serra Gaúcha:

 

Interior de São Paulo:

 

Trajetória diária

Por fim, seria ainda interessante entender mais detalhes sobre o comportamento do DeltaT dentro do mesmo dia. Como o DeltaT vai se desenvolver ao longo do dia e tem padrões de horas preferenciais para a pulverização? A resposta é sim. Embaixo, vemos 3 gráficos animados, mostrando o comportamento com a hora do dia. Ainda separamos os graficos por inverno e verão, pois dá para fazer observações interessantes.:

Obs: é possível mexer no slide para controlar a hora do dia, ou pode selecionar play.  

Serra Gaúcha no Verão:

 

Serra Gaúcha no Inverno:

 

São Paulo no Inverno:

 

Podemos observar as seguintes conclusões:

  • Durante a noite e no início da manhã, o DeltaT fica na faixa laranja em todas as situações. Então não é a hora de pulverizar.

  • A partir das 9h, o DeltaT começa a crescer e entra na fase verde. No verão e nas regiões mais quentes, ele já passa aproximadamente as 12h o que é alto demais e fica novamente laranja. A tarde ele volta.

  • No inverno na serra gaúcha, não existe um padrão claro.

É importante lembrar que isso são dados médios de diversos meses. O comportamento do DeltaT em um dia singular pode fugir totalmente dessa media, por exemplo, se for um dia mais chuvoso. Portanto é importante sempre conferir o DeltaT na hora da pulverização.

Conclusão e Uso

Podemos, então, concluir que o DeltaT no Brasil depende de vários fatores e varia muito, tanto no decorrer do dia, quanto de um dia para o outro. Existem sim, padrões gerais, mais é sempre precisa conferir o DeltaT do dia em que se realiza a aplicação. Também é notável que o DeltaT é um valor muito sensível a mudanças, ou seja, uma sutil variação do tempo e ele pode sair rapidamente da faixa recomendada.

Observa-se que se você tem uma estação meteorológica da marca Metos, existem formas de monitorar, prognosticar e alertas para esses valores em tempo real, mantendo-o sempre atualizado. É também possível fazer uma previsão do tempo que ainda resta dentro da faixa verde, certificando que pode tomar a melhor decisão sobre se ainda vale a pena concluir um talhão ou não. Contate-nos para mais informações.

     

Feito por Drawdown Labs para a Metos Academy

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